segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Um poema...

RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

Discurso de primavera e algumas sombras. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1979, p. 115


O Leituras sugere...







...para janeiro 

Ser Rapariga
Tudo Sobre a Adolescência!
 Hayley Long

A adolescência é uma época meio estranha, não achas?

São momentos esquisitos e inesperados, como quando sentes borboletas no estômago ou aquelas dores de barriga inexplicáveis.
E depois há que saber escolher a roupa certa para aquela saída especial, uma SMS que não chega, a amiga que é cada vez menos amiga…

Este livro é para ti! É o guia de que precisas para descobrir tudo sobre a adolescência: hormonas, moda, amizade, amor ou mesmo a «primeira vez». Este livro existe para que não passes sozinha por nenhum desses momentos assustadores.
Porque ser rapariga tem de ser o máximo!
Um guia feito a pensar em todas as adolescentes.

Programação mensal | janeiro


quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Um poema...


NATAL À BEIRA-RIO

É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?

David Mourão-Ferreira

O Leituras sugere...







...para dezembro 


Laura à Procura do Pai Natal

 Klaus Baumgart


Laura e o seu irmão Pedro veem o Pai Natal da janela de sua casa. Saem a correr, atrás dele, mas acabam por ver não só um, como dois, três,... vários Pais Natal no centro comercial! O Pedro está convencido: nenhum é verdadeiro.

"O Pai Natal não existe!"
A Laura quer ajudar o Pedro a voltar a gostar do Natal. Mas como? Ela própria já não tem a certeza se acredita no Pai Natal. 
Felizmente, ela tem a sua amiga Estrela, que a pode ajudar...


Descobre como, lendo ou pedindo que te leiam esta maravilhosa história de Natal. 


Livro recomendado para apoio a projetos relacionados com o Natal na Educação Pré-Escolar, 1º e 2º ano.


Programação mensal | dezembro


terça-feira, 29 de novembro de 2016

LOUISA MAY ALCOTT

184º Aniversário


Nascida a 29 de novembro de 1832 em Filadélfia, no estado da Pensilvânia (EUA), Louisa May Alcott é uma autora americana que sonhava ser atriz mas que acabou por se tornar numa escritora incontornável no panorama da literatura juvenil. Criada com a família na Nova Inglaterra, cresceu rodeada de destacados intelectuais, tais como Nathaniel Hawthorne e Henry David Thoreau, amigos do seu pai, que era filósofo e professor. 

Falhadas as tentativas para singrar como atriz, lançou a primeira obra aos 23 anos, ‘Flower Fables’.

Em 1868 editou ‘Little Women’ (‘As Mulherzinhas’, na versão portuguesa), um romance que narra a história das quatro irmãs March, oriundas de uma família da classe média norte-americana.

O crescimento de Meg, Beth, Jo e Amy March entre 1861 e 1865, durante a Guerra Civil dos EUA, é narrado com base nos valores morais defendidos pela autora, como a dedicação cívica, o cuidar do lar, a caridade e o amor à pátria.

O romance ‘As Mulherzinhas’ tornou-se quase obrigatório como iniciação à vida adulta para as raparigas norte-americanas, algo que depois veio a generalizar-se no resto do mundo.


O livro deu ainda origem a várias adaptações para outros formatos, como filmes e séries televisivas.

Com mais de 20 obras publicadas, Louisa May Alcott teve de usar um pseudónimo masculino, A. M. Barnard, pois à época era moralmente discutível uma mulher dedicar-se à escrita.

‘Quatro raparigas’, ‘Alguns anos depois’, ‘O colégio da Ameixoeira’ e ‘Os rapazes de Maria João’ foram outros livros adaptados com sucesso no mercado português.

Além da sua notoriedade como escritora, a autora tornou-se muito popular pelas posições que assumiu em defesa da abolição da escravatura e do direito de voto para as mulheres.

Louisa May Alcott morreu a 6 de março de 1888 em Boston, no estado de Massachusetts.